quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

antes que o verão me alcance








É quase verão de novo. E as cores e os sorrisos do Rio de Janeiro ainda estavam dentro de um rolo plástico, escondido dos olhos da gente. O diminuto espaço também guardava uma quantidade absurda de lembranças, algumas que eu até tinha esquecido. Meu aniversário, Carnaval, outros aniversários, festas juninas. Eu poderia jogar essas fotos aqui e me esquecer delas pra sempre ou para quase sempre e quando eu voltasse a vê-las eu tentaria sentir cheiros, adivinhar a temperatura ambiente, entender o que estava passando na minha vida. Está cada vez mais claro que alcançar isso é impossível e, nessa impossibilidade, eu só arrisco dizer que essas imagens devem contar alguma história que eu ainda não dou conta de ler. Tateio sentidos nos fragmentos, esboço textos desajustados. Tenho um pouco de vergonha, da minha alegria, da minha preguiça, de mostrar e contar essas coisas. Às vezes parece que tudo tem mudado muito rápido mas talvez essas fotografias sejam uma honesta contribuição à crença de que - para além da beleza do mutável ou da instabilidade do contemporâneo - montes de felicidades cotidianas tem conseguido se manter.











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