terça-feira, 18 de julho de 2017

segunda-feira, 10 de julho de 2017

elena ferrante e meu autoconhecimento

A amiga genial, de Elena Ferrante, foi um livro que me proporcionou muito autoconhecimento. A primeira coisa que aprendi é que não consigo desistir de um livro no meio e que ler rápido e querer saber como se desenrolam os fatos dentro dele, não é garantia de que estou amando a leitura A segunda coisa que aprendi nesse percurso é que eu sou muito chata. Isso fica aqui como autocrítica mas principalmente como informe e advertência.


A capa de A amiga genial é muito bonita, com três mulheres de maiôs em cores primárias, modelitos meio anos 1950. Todo mundo tem uma amiga - genial ou não - que postou essa capa no instagram (eu mesma sou essa amiga para muita gente). A polêmica que emergiu ano passado sobre a identidade descoberta da autora, que usa um pseudônimo, foi o início do surgimento massivo de notícias sobre Elena nas minhas timelines. Como não conheço outros escritores que frequentam as altas rodas do mercado editorial com nomes falsos, a controvérsia do pseudônimo parece mais ter ajudado do que atrapalhado a recepção das obras. Não vou entrar nessa discussão sobre privacidade e publicidade. Próximo tópico.

Outra coisa que descobri sobre mim lendo A amiga genial foi que eu não gosto de histórias que tem muitas pontas e, principalmente, que essa pontas não se amarrem dando uma coerência à história. Há, no livro, uma sucessão de eventos, e quando dá aquela sensação de que algo vai ser mais bem detalhado - tipo aquele dedo na ferida da relação entre fascismo e máfia - outro fato mais banal desvia desse foco de interesse. Eu nunca conseguia entender direito onde estava a preocupação da narradora e isso me incomodava bastante. Por isso, até consigo imaginar que o livro funcione melhor como uma adaptação para televisão.

A narradora, pra ser bem sincera, é o motivo para eu achar o livro meio esquisito. Elena - a narradora - decide se vingar da amiga de infância sumida fazendo algo que a amiga de infância pediu para ela não fazer: contar sua história. Até aí, tudo bem. Reza a lenda que Kafka pediu pro amigo tacar fogo nos seus escritos mas o cara decidiu publicar até a última carta encontrada. Minha questão não é moral (até porque de não-moralidades vive o melhor da literatura!), mas é de como a narradora tem acesso minuscioso a momentos em que ela não estava presente. Ou é o próprio deus onisciente escrevendo, ou o texto falha muito ao contar uma história cujos restos são fragmentos de diários e cadernos. De fato, isso é dito no começo do livro, a amiga - Lila - delegou esses diários mas o detalhamento de eventos em que Elena não estava presente me causa um tremendo desconforto como leitora.


Descobri sobre mim que eu funciono muito por analogias, e sentia falta da honestidade de falsos historiadores como o narrador de As virgens suicidas que coleta vestígios da existência das irmãs Lisbon e constrói uma história - às vezes contraditória - sobre suas personagens. Muita gente também elogia Ferrante pela construção de personagens femininos que estabelecem relações de cooperação e competição - seja com amigas, seja com as mães. Nesse assunto, minha tara por analogias me obriga a destacar como livros que cumprem melhor essas funções: O amante, de Marguerite Duras e Segredos de menina, de Maitena Bundarena. O grande mérito de Ferrante, porém, é trazer o cenário napolitano e os embates entre duas línguas - o italiano e o dialeto - no cotidiano da cidade. Só por isso o incômodo com frases muito longas separadas por vírgulas e construções verbais estranhas pode ser minimizado. Não parece ser problema de tradução (disseram que o tradutor do italiano para o português é muito bom), mas talvez um recurso estilístico dessa tensão entre dois mundos linguísticos que Elena frequenta. Essa é a dose de compreensão que me cabe dar à obra.

Para além das questões formais, tem uma coisa que não entendo em A amiga genial, mas essa é realmente pela dificuldade de me colocar no papel da protagonista. A dificuldade aparece não por termos experiências opostas, mas sim por eu conseguir minimamente me enxergar na personagem. E então quando vejo os horizontes de Elena se abrindo para fora do bairro, vai me parecendo menos plausível o aumento do envolvimento dela com as demandas do lugar. Quando ela passa mais tempo fora estudando, convivendo com pessoas de outras localidades, como consegue voltar para a amiga de infância como se tivesse ido só cumprir uma aposta do outro lado da cidade? Meus amigos da rua, com quem eu brincava todos os dias na infância, se tornaram adultos por quem eu passo hoje em dia e mando um "opa!" e recebo tão somente um "e aí, beleza?". Quase admiro a capacidade das duas amigas de não se tornarem completas estranhas uma para a outra, deixando só umas rusgas para desenrolar mais dois ou três volumes.

Se for real que logo menos essa história vai parar na televisão, tenho uma saída para descobrir o que ficou pendente. Pelo menos no audiovisual uma contradição pode ser minimizada: a gente tende a estranhar pouco a câmera nos guiando como narrador onisciente.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

o semestre de três anos

A ideia de começar a pós-graduação parece sempre boa. Estudar mais uma coisa que a gente já sabe que gosta. O esquisito é que tem pouca matéria pra fazer e que quando eu tô de férias das matérias eu realmente não estou de férias da pesquisa. A sensação, afinal de contas, é que a pesquisa é mais uma das dimensões da vida e que semestres agora duram cerca de três anos. O mais esquisito é que eu não sofro muito. Só quando preciso escrever um texto do zero. Ou quando preciso apresentar primeiros resultados. Às vezes eu esqueço de comer e adio demais meu sono. Mas no dia-a-dia não tá ruim. Tem até umas coisas que me divertem.

A mais recente dessas coisas foi um seminário que tive que preparar para a disciplina que estava fazendo. Como eu acho que a vida é curta e que a gente só vive uma vez, aproveitei o seminário para falar de um assunto que eu estava desde agosto do ano passado querendo pensar sobre: a abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. E o caminho que percorri foi através do livro A semana sem fim, de Frederico Coelho. O livro faz parte de uma coleção que se propõe a analisar a Semana de Arte Moderna de 1922 por conta da celebração de 90 anos do evento. Ele faz um percurso por décadas e lança mão de ideias como a "tradição da ruptura" de Octavio Paz e a "invenção da tradição" de Eric Hobsbawn. Não era evidente - e essa é uma perspectiva interessante da obra de Coelho - que a memória do evento se cristalizaria da forma como foi cristalizada. Ele investiga por que a escolha do ano de 1922, por que São Paulo, por que algumas figuras receberam mais destaques do que outras e como o termo "modernismo" se impôs sobre o termo "futurismo". Mas o que me interessa mesmo no livro é quando o autor trata da perpetuação ou da recuperação da memória de Mário e de Oswald de Andrade.

A relação entre Mário de Andrade e Oswald de Andrade não foi sempre de proximidade. Mas a memória da Semana de Arte Moderna transformou os dois - em momentos e por razões diferentes - nos símbolos maiores do modernismo iniciado em São Paulo. Enquanto Manuel Bandeira que apresentou em um dos dias o poema Os Sapos - crítica clara aos parnasianos - pedia distanciamento da discussão sobre se estava vivo ou não o modernismo em 1942, dois processos simultâneos aconteciam na época. 

A criação da Universidade de São Paulo em 1934 e a organização de um grupo de intelectuais em torno da fundação da Revista Clima que publicou críticas culturais entre 1941 e 1944, favoreceu a criação de uma fortuna crítica sobre o movimento modernista. Antonio Candido, que era casado com a filósofa e crítica Gilda de Mello e Souza, que por sua vez tinha parentesco com Mário de Andrade, foi o principal incentivador dessa postura favorável ao modernismo pelo caminho da academia. Nesse período, o próprio Mário de Andrade questionava os limites do movimento, enquanto Candido traçava o período de 1922 a 1945 como o período modernista. O artigo publicado na Revista Clima virou capítulo do livro Literatura e Sociedade. Frederico Coelho questiona o marco temporal escolhido por Candido, já que o ano final é o de morte de Mário de Andrade, enquanto o ano inicial é o da Semana e de publicação de Pauliceia desvairada. O marco temporal seria, portanto, focado na figura de Mário. Para Candido, a literatura brasileira no século XX seria divida em três períodos: 1880 a 1922 (pós-romântica; algo que não a qualifica em si, mas em relação ao que veio antes); 1922 a 1945 e de 1945 em diante. Dessa forma, Candido colabora na transformação do modernismo em cânone na academia, coisa que terá reflexo em outros momentos da vida pública brasileira. Além da academia, espaços oficiais passavam a reconhecer o modernismo a partir do marco de 1922 mesmo quando o campo artístico ainda não tinha pacificada essa questão. Em 1952, destaca Coelho, Getúlio Vargas celebra o modernismo e suas forças revolucionárias em sua mensagem ao Congresso Nacional. O fato é destacável visto que Getúlio foi vencedor de uma revolução que derrotou politicamente parte da elite cafeeira que apoiou a Semana de Arte Moderna trinta anos antes. 

Assim, se Mário de Andrade foi abraçado pela universidade seja pelos textos de crítica literária, de seus vínculos institucionais (basta lembrar de seu anteprojeto pro SPHAN no Estado Novo de Vargas) seja pela recepção em 1968 do seu acervo pessoal pelo Instituto de Estudos Brasileiros (criado seis anos antes por um também participante da Semana, Sérgio Buarque de Hollanda), a consagração de Oswald veio um pouco mais tarde. Foi nos anos 1960 e 1970 que a memória de Oswald se consolidou, através de processos culturais bastante interessantes. A obra do escritor passou a ser revisitada, tanto em seus textos de teatro (como O rei da vela, montado em 1967 por José Celso Martinez) como em seus textos combativos estética e politicamente. Assim, o tropicalismo, movimento tão complexo quanto o modernismo do começo do século, e que dialoga com a percepção do nacional em um contexto de modernização, transforma a ideia de "Antropofagia" oswaldiana em sinônimo de "Tropicália".

Esse é um ponto fundamental para mim. No texto Kafka y sus precursores, Jorge Luis Borges questiona a ideia de precursores em literatura. Diz: 
"No vocabulário crítico, a palavra precursor é indispensável, mas teríamos que purificá-la de toda conotação polêmica ou rivalidade. O fato é que cada escritor cria seus precursores. Seu trabalho modifica nossa concepção do passado, como há de modificar o futuro. Nessa correlação nada importa a identidade ou a pluralidade dos homens." 
A partir dessa ideia de Borges, os modernistas de 1922 não seriam em si precursores dos tropicalistas de 1967-1968. São os tropicalistas que colocam na ordem do dia o modernismo de 1922, e que determinam ali sua tradição.

Ao final do livro, Frederico Coelho adverte a incompletude da Semana de 1922. É a incompletude a sua força de nos fazer pensar sobre a modernidade brasileira que carregamos nos nossos imaginários (ajudada obviamente por livros didáticos, datas comemorativas, efemérides celebradas pelos jornais e órgãos de cultura e retomadas artisticamente ao longo do tempo). Por fim, quando Coelho cita Waly Salomão para dizer que a semana não se esgotou e chega a imaginar o cenário de 2022 quando se completará o centenário do evento, pensei em analisar a abertura dos Jogos Olímpicos de 2016 para buscar continuidades entre os discursos modernistas e tropicalistas em um evento colossal. Os diretores artísticos da cerimônia foram os cineastas Fernando Meirelles, Daniela Thomas e Andrucha Waddignton. Meirelles, sobre os gastos mais modestos do que os de outras edições, disse
"Não temos os números oficiais do preço das cerimônias nem de Londres nem de Pequim, mas as pessoas do mercado que lidam com isso têm estimativas. Não é um drama, porque não faz sentido usar um orçamento espalhafatoso em um país que não tem saneamento em muitos lugares. É sensato usar bom conceito, bom gosto."



A cerimônia artística começa com imagens aéreas do Rio de Janeiro ao som de Aquele abraço, música composta em 1969 por Gilberto Gil. Do vídeo, dançarinos com quadrados prateados evocam imagem de mar e fazem contagem regressiva. Há uma menção clara ao concretismo, a obras feitas nos anos 1950 por artistas como Lygia Clark e Helio Oiticica. O hino nacional é cantado por Paulinho da Viola acompanhado por uma orquestra. Uma representação da origem da vida com insetos andando pela floresta inicia logo após o momento cívico do hino, e dançarinos do Festival de Parintins (Caprichoso e Garantido) interpretam indígenas que constroem suas casas na floresta. Em seguida, chegam caravelas com portugueses. A chegada dos portugueses não é pacificada, mas tampouco rompe com uma narrativa de encontro. Escravos negros fazem o chão se transformar de floresta em roçado e um grupo de dançarinos representando pessoas de ascendência árabe carregando malas (provavelmente indicando uma relação desses povos com o comércio) ocupam uma parte do cenário. Em seguida, a imigração japonesa é representada (lembrando que Japão é a próxima sede olímpica) e um grupo de possíveis chineses adentra o território. Os dois grupos se encontram e saem de cena. Aqui, a lavoura vira prédios da cidade contemporânea do Rio de Janeiro (um cenário bastante cantado pela Bossa Nova). Ao contrário do bloco passado, em que as músicas não eram reconhecíveis, aqui bailarinos dançam ao som de Construção de Chico Buarque. Constrói-se ali o 14-Bis, pilotado por Santos Dumont. Na fantasia, esse avião dá conta de passar pela catedral, pelos arcos da Lapa, pelo Museu do Amanhã, pela Marina da Glória, Corcovado, Lagoa Rodrigo de Freitas e Avenida Atlântica. A geografia representada de Rio de Janeiro é muito menor do que os limites municipais cartograficamente indicam. No retorno ao Maracanã, o neto de Tom Jobim toca Garota de Ipanema enquanto Gisele Bündchen desfila. Conforme ela anda, traços de Oscar Niemeyer se desenham no chão e Jobim é projetado nos prédios. Numa mudança dos prédios para a favela, construída como formas geométricas coloridas, Ludmilla canta O rap da felicidade. A dança nessa parte é sempre mistura de estilos urbanos. Elza Soares, em outra parte do cenário, que remete ao projeto da Câmara dos Deputados de Brasília e é usada desde o Hino Nacional, passando pelos ritos oficiais até o último show, canta o Canto de Ossanha (de Tom e Vinicius - não esses). Em seguida, Zeca Pagodinho e Marcelo D2 se apresentam e são substituídos por Karol Conká e MC Sofia enquanto um capoeirista se apresenta no centro do estádio. A capoeira precede um duelo de grupos de maracatu, que depois vira um grande baile com elementos tecnológicos. Nesse momento, Regina Casé interrompe e pede o fim das brigas; diz que estamos buscando nossas semelhanças e celebrando nossas diferenças. A maneira de concretizar isso é com Jorge Ben Jor cantando País Tropical (o ambiente tenso da capoeira e do maracatu é substituído por uma coreografia carnavalesca). Há uma quebra e um menino negro com roupa futurista chega a um ambiente distópico e começa um vídeo em que Fernanda Montenegro declama A flor e a náusea de Carlos Drummond de Andrade. Os atletas brasileiros entraram ao som de Aquarela do Brasil e quando todos estavam em seus lugares a vista aérea remetia aos jardins disformes de Burle Marx. Um homem velho e um menino tocam e dançam samba com caixa de fósforo, numa referência à gambiarra, ideia que estava originalmente por trás da concepção artística da apresentação. Da réplica do Congresso, Gilberto Gil e Caetano Veloso convidam Anitta para cantar o samba-exaltação de Ary Barroso Isso Aqui o Que É. A cerimônia artística acaba com a entrada de passistas, mestre-salas e porta-bandeiras e ritmistas de escolas de samba do Rio de Janeiro. Embora tenha sido feito por um artista norte-americano (Anthony Howe), muita gente associou a pira olímpica com a tradição cinética da arte no Brasil da década de 1960. No dia seguinte à abertura, Sheila Leirner publicou texto no Estadão dizendo que aquela escultura era decorativa e não arte (o texto não é bom, mas a discussão e a disputa me interessam).

Assim, para encerrar a análise, retomo a leitura de Frederico Coelho sobre a Semana de Arte Moderna de 1922 como uma semana sem fim. Na abertura das Olimpíadas, muitos elementos de dita cultura brasileira estavam claramente representados. Me interessou olhar para esse evento porque procurei um momento culturalmente relevante e com um aspecto oficial. Um momento em que uma instituição tão século XIX como os Jogos Olímpicos precisa se perguntar o que é Brasil. Há muito mais continuidade do que ruptura, seja com 1922, com 1967, ou com o Estado Novo. Nesse sentido, a projeção de Coelho para 2022 parece aceitável. Não só por ser um governo de direita e uma hegemonia cultural de esquerda (afinal, muitos dos artistas ali se manifestaram publicamente contra o governo de Michel Temer, que também estava ali, como interino), mas porque parece existir claramente uma primazia do século XX (o samba urbano, a bossa nova, o rap, a arquitetura, expressões concretistas da arte, a poesia de Drummond) e uma convivência com o tradicional de modo quase folclórico (o maracatu, a capoeira, as formas indígenas de construir habitação). Na disputa das representações no âmbito oficial, e muitas vezes até bem longe da oficialidade, parece que o Modernismo se consagrou como vencedor, porque, afinal, a ideia de ser modernista foi ampliada. Inexiste na apresentação da abertura das Olimpíadas a arte do século XIX, construções urbanas que não remetam ao moderno, identidades nacionais que fujam muito da relação festiva entre três etnias (a imigração mencionada aparece com aspectos específicos vinculadas a atividades econômicas e desaparecem no Rio contemporâneo). Gisele Bündchen, por exemplo, é a mulher brasileira de Ipanema; não é a mulher gaúcha, de sobrenome alemão, numa região que tem celebrações muito particulares como a semana farroupilha.

Não foi em uma semana com apresentações artísticas em três dias que esse discurso se formou, mas talvez a Semana de Arte Moderna seja esse local de encontro de Mário e Oswald de Andrade que proporcionou forjar-se um discurso sobre arte e Brasil que reverbera até hoje.

terça-feira, 23 de maio de 2017

compilado de pensamentos organizados

Escrever é, de longe, a coisa que mais fiz na vida. E o padrão parece que se mantém. Só esse blog já tem 7 anos. Todos os outros que eu criei pra ficar mexendo nos códigos html me levam para 14 anos atrás. Antes disso existiam as aulas de redação e no Ensino Fundamental eu cheguei a escrever um caderno que contava uma história chamada "Meus livros velhos", em que um casal de livros tinha filhos humanos com quem iam para a chácara encontrar os animais (a obra mais surrealista já produzida em toda América do Sul). Escrever é uma forma de terapia e de organizar meus pensamentos (não é toda terapia uma forma de organizar pensamentos?) e então pra organizar os textos que me organizam está aqui este post.


Lucas é a pessoa com quem eu mais gosto de falar de música, porque ele me apresenta muitas coisas novas (a última foi Giovani Cidreira) e tem uma paciência tremenda com minhas teorias. Ano passado, ele começou um Medium para pessoas publicarem seus textos sobre música, que é um assunto sobre o qual eu gosto de falar de puro achismo, sem nenhum compromisso. Nessa pegada, criei uma conta e escrevi dois textos pra lá:

Além de usar daquela plataforma e dividir o aluguel com o Lucas, também inventamos com Seane uma newsletter - No episódio anterior - para comparar séries às nossas vidinhas banais. Como todo mundo já faz isso mesmo e vê nesses produtos audiovisuais só o que quer e sai por aí falando "NOSSA ISSO É MUITO EU", criamos essa carta por e-mail para contar para as pessoas o que é muito a gente em episódios que assistimos por aí. Dá pra ver uma parte dos textos no link mas de uns tempos pra cá estamos mandando só para os assinantes.


Thaís me pediu para contar sobre como é viajar sozinha para um projeto no blog dela e já faz um tempão e eu gostei do texto que escrevi mas esqueci de contar que escrevi. Então, aqui está o meu relato em forma de "Viajo porque preciso".


Eu sinceramente nunca achei que criar e reproduzir mundos pela escrita me levaria tão longe quanto os meses de abril e maio me permitiram. Passei três semanas escrevendo de dentro de ônibus em que grupos de artistas iam para o interior e litoral de São Paulo. Cada semana eu tive a oportunidade de conhecer novas pessoas e novas expressões em diferentes linguagens e a chance de escrever sobre elas pro site do Circuito Sesc de Artes. Tive a chance de me apaixonar mais de uma ou duas vezes e de ver quilômetros de estradas serem devoradas à minha frente. Fato é que, para além de toda poesia, se não fosse pro meu primeiro texto ser cheio de gifs, eu nem tinha feito as malas. Passei por Cubatão, Guarujá, Bertioga, Fernandópolis, Santa Fé do Sul, Mirassol, Bragança Paulista, Salto e Atibaia. Pra ter uma ideia de o que foram esses dias, deixo os links aqui.

domingo, 23 de abril de 2017

na dianteira sombra venha me seguir





Das mentiras que sempre nos contam a que menos me atinge é aquela que diz que nos arrependemos não do que fazemos mas sim do que deixamos de fazer. O que deveria ser um estímulo para me tirar da cama e viver uma vida intensa, na verdade não passa de uma frase sem sentido para uma pessoa que não vê problemas em fazer nada no tempo livre ou que igualmente se arrepende de coisas que fez. Amadurecer e acumular arrependimentos são expressões que possivelmente carregam raízes etimológicas semelhantes, bem como podem ser processos risíveis ou dolorosos. Como dizem que a gente se arrependeria mais do que não fez do que do que fez, e eu advogo que o arrependimento estaria em qualquer uma das duas coisas, carrego como um troféu cada momento desses registrados em que mesmo com chuva, frio, balada miada e pós-expediente, a gente deu um jeito de sorrir tão bonito assim. 
(Como já é clássico aqui, as fotos são de novembro de 2016 a janeiro de 2017)















♫ Metá Metá - São Jorge